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O que é a filiação divina?

19 · VIII · 2024·9 min de leitura
Foto: Opus Dei

Foto: Opus Dei

Saber que Deus nos ama como um pai ama seus filhos é o grande mistério da filiação divina: o dom do Espírito Santo que, desde o batismo, nos torna participantes da própria vida de Jesus Cristo.

A vida cristã está fundamentada na realidade de que Deus nos ama. É a verdade fundamental que estrutura toda a nossa vida. Ele não nos ama só quando correspondemos a seus pedidos, mas também quando não o fazemos. Quando nos afastamos dele, Ele procura o modo de vir ao nosso encontro para que voltemos.

Chamamos a esta consciência do amor de Deus por nós de sentido da filiação divina: "saber que Ele nos ama como um pai ama aos seus filhos e dá a vida por eles." Tal convicção baseia-se numa realidade sobrenatural: a nova relação que Deus Pai estabelece conosco mediante a graça, pela qual nos torna seus filhos em seu Filho Jesus Cristo, ao dar-nos como dom o Espírito Santo.

É um grande mistério. Parece ousadia que nós, pobres pessoas, nos dirijamos a Deus como Pai. Foi o próprio Cristo que nos ensinou a tratá-lo assim e o fazemos cada vez que rezamos o Pai Nosso. Jesus nos ensinou esta oração e com o Batismo tornou-nos partícipes de sua própria vida, a vida da graça: por ela somos filhos adotivos de Deus.

Deus é o Pai perfeito, não há nele nenhuma carência, nenhuma distorção: seu amor infinito, o cuidado por cada pessoa, a providência pela qual dispõe os acontecimentos da melhor forma. O sentido da filiação divina pode então curar em nós qualquer ferida que um vínculo paterno-filial infeliz tenha deixado em nosso coração.

A filiação como dom

O "sentido da filiação divina" não é algo teórico. "É um dom divino, uma imensa graça de Deus destinada a orientar todo o pensar e o querer, o sentir e o agir. Mas é um dom que deve ser avivado, como uma brasa, para que leve sua luz e seu calor à conduta do cristão".

Para São Josemaria, a filiação divina é uma verdade que serve de fundamento para nossa vida. E porque somos filhos, somos também herdeiros: nossa meta é chegar ao Céu e participar eternamente da vida divina. Por isso não temos medo de nada nem de ninguém, nem de nós mesmos, da nossa fraqueza ou das nossas rebeldias: Deus as conhece, conta com elas, e nos ajuda a seguir em frente. Sempre podemos voltar a começar.

"Descansa na filiação divina. Deus é um Pai – o teu Pai! – cheio de ternura, de infinito amor. – Chama-o Pai muitas vezes e diz-lhe, a sós, que o amas, que o amas muitíssimo!" (Forja, 331)

Filiação e entrega aos outros

A consciência da filiação divina, unida à confiança em nosso Pai Deus, leva-nos a entregar-nos aos outros e a querer compartilhar este dom com todos os homens. Querer que outras pessoas participem da graça de Deus é parte da filiação, e nos leva a ser mais irmãos dos homens. O sentido apostólico autêntico surge da segurança de que o braço de Deus não se encurtou, que Ele está sempre junto de nós.

O dom de piedade

O dom de piedade, um dos sete dons do Espírito Santo, ajuda-nos a tratar a Deus como Pai, a estabelecer esta relação filial de um modo habitual. São Paulo diz: "os que são conduzidos pelo Espírito de Deus, estes são filhos de Deus" (Rm 8, 14).

Na filiação divina encontramos também a base para a autêntica liberdade, porque o filho não atua por dever, mas pelo desejo de agradar a seus pais. A filiação divina também é, finalmente, o fundamento da nossa alegria: saber que contamos sempre com o Senhor constitui a maior fonte de confiança, serenidade e alegria.


Fonte: Opus Dei. Foto: Opus Dei.