"Queres de verdade ser santo? Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes." O caminho que São Josemaria propõe tem dois aspectos: cumprir o pequeno dever, e cumpri-lo com perfeição e por amor a Deus.
Por ocasião de algumas canonizações, o Magistério da Igreja ensinou que a santidade não requer realizar ações extraordinárias, mas "consiste somente numa conformidade com o querer de Deus, expressa num contínuo e exato cumprimento dos deveres do próprio estado".
Este é também o caminho simples da santidade que São Josemaria propõe: "Queres de verdade ser santo? – Cumpre o pequeno dever de cada momento; faz o que deves e está no que fazes".
As palavras anteriores mostram duas exigências da santidade: uma material ("faz o que deves": cumprir o pequeno dever de cada momento, e cumpri-lo sem atrasos, hoje, sempre, agora) e outra formal ("está no que fazes": cumpri-lo com perfeição e empenho por amor a Deus). Estas duas exigências convergem para uma só: o cuidado amoroso das coisas pequenas.
O infinito valor do "pequeno"
Na base destas duas exigências se encontra a ideia de que, para a santidade, o amor é prioritário em relação à materialidade das obras. "Um pequeno ato, feito por Amor, quanto não vale!". O valor das obras para a santificação e para o apostolado não deriva principalmente da sua importância humana, mas do amor a Deus com que se realizam. Esse amor se manifesta muitas vezes em "coisas pequenas" no trato com Deus e com os outros. O amor converte em grande o que aos olhos humanos resulta ínfimo: "Fazei tudo por Amor. – Assim não há coisas pequenas: tudo é grande".
Materializar a grandeza interior
O anterior (a prioridade do amor) não deve levar a pensar que a perfeição objetiva, externa, das obras que se realizam é pouco importante. São Josemaria insiste também nesta última ideia. As "coisas pequenas" são antes de tudo atos virtuosos interiores, que se qualificam de "pequenos" não pela intensidade do ato, mas por algum outro motivo, como por sua pouca duração ou sua escassa relevância no plano humano.
Quando São Josemaria fala da importância das "coisas pequenas", refere-se umas vezes a "coisas pequenas espirituais" que são atos unicamente interiores, mesmo que realizados durante atividades externas (por exemplo, dizer uma jaculatória ao fechar a porta, ou renovar no coração o oferecimento do trabalho a Deus). Outras vezes pensa em "coisas pequenas materiais", atos cujo objeto é um detalhe exterior que contribui para melhorar objetivamente o estado de coisas ao nosso redor.
Fiel no pouco
Santidade requer sempre heroísmo. Hoje, como ontem, do cristão se espera heroísmo: "a santidade não é nunca algo medíocre". A vida cristã exige luta heroica por amor a Deus, contra tudo o que se opõe à santidade. Sobre isto a Sagrada Escritura adverte que "aquele que se descuida das pequenas coisas, cairá pouco a pouco" (Si 19, 1). Este é o caminho para ser fiéis ao amor a Deus no grande: "Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes" (Lc 16, 10).
Um meio para combater a inclinação ao mal é a mortificação. O conselho de São Josemaria a este respeito era que "a mortificação deve ser procurada nas coisas pequenas e correntes, no trabalho intenso, constante e ordenado. (...) Minutos heroicos ao longo do dia. Pontualidade. Ordem. Guarda da vista pela rua, com naturalidade. Dezenas e dezenas de pormenores e ocasiões bem aproveitadas".
Converter a prosa diária em verso heroico
A vida cotidiana é o campo de batalha onde deve ocorrer o heroísmo do cristão. É possível viver heroicamente a vida cotidiana: "converter a prosa diária em decassílabos, em verso heroico". Não é preciso realizar proezas espetaculares. "Não encontrarão leões nos corredores de casa. Mas há uma infinidade de pequenas coisas que exigem heroísmo: algumas por sua continuidade; outras, precisamente por seu escasso relevo humano".
Os atos virtuosos na vida cotidiana consistem geralmente em detalhes fáceis de realizar se considerados isoladamente. O heroico é o seu número e a sua continuidade silenciosa, sem a recompensa da admiração. "O verdadeiro heroísmo está no vulgar, no cotidiano, feito uma vez e sempre com perseverança, diante de Deus e com um empenho que não desfaleça por nada", porque "A perseverança nas pequenas coisas, por Amor, é heroísmo".
Fonte: Opus Dei. Texto: J. López. Foto: Opus Dei.
